sábado, 1 de setembro de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
Por Gerson Freitas Jr. (Valor, 04/10/11) adverte que, apesar da alcunha de “celeiro do mundo”, o Brasil ainda está longe de ser o maior fornecedor global de alimentos. Mesmo com todo o crescimento recente, o país ainda está distante de alcançar os patamares de produção e exportação dos Estados Unidos, a maior potência agrícola do planeta. Contudo, há um quesito em que o agronegócio brasileiro lidera com folga e vantagem crescente sobre os concorrentes americanos: a geração de saldos comerciais.
Os últimos dados do Ministério da Agricultura mostram que o setor registrou saldo comercial recorde, de US$ 71,9 bilhões, no período de 12 meses encerrado em agosto. Líderes no ranking de exportação, os Estados Unidos estimam saldo de US$ 42,5 bilhões no ano encerrado no último dia 30, um resultado 40% inferior ao brasileiro. É importante fazer uma ressalva: há diferenças entre as metodologias adotadas por Brasil e EUA nesse cálculo. Ao contrário do nosso ministério, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) não contabiliza, por exemplo, transações de produtos florestais e pescados. Além disso, nenhum dos dois contabiliza suas importações de insumos para a produção agropecuária, o que superestima o resultado externo do setor.
Mesmo assim, o resultado é consistente com os últimos dados consolidados da Organização Mundial do Comércio (OMC), que aplica uma única metodologia. Segundo a OMC, o Brasil fez em 2009 um saldo US$ 30,6 bilhões maior que os EUA. Na comparação entre os dados de cada governo, a vantagem brasileira naquele ano foi de US$ 31,9 bilhões.
O agronegócio dos Estados Unidos produzia um saldo maior que o brasileiro até o fim dos anos 90. Em 1999, o Brasil, que sofria com a crise de países emergentes, viu-se obrigado a desvalorizar o real e a estimular as exportações para equilibrar as contas. O câmbio favorável, combinado com o financiamento para a renovação do maquinário (Moderfrota do BNDES) e a renegociação das dívidas do setor que o precedeu, abriu caminho para um novo ciclo de investimentos. De lá para cá, a vantagem brasileira apenas cresceu.
Os Estados Unidos ainda são os maiores exportadores brutos de produtos agropecuários. O USDA estima que o país vendeu o equivalente a US$ 137 bilhões nos últimos 12 meses, 55% mais do que os US$ 88 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro entre setembro de 2010 e agosto de 2011. Nesse quesito,os americanos ampliaram sua vantagem sobre os brasileiros, de cerca de US$ 30 bilhões para quase US$ 50 bilhões na última década.
A principal diferença entre os dois países está no fôlego das importações americanas, que saltaram de US$ 38,9 bilhões para US$ 94,5 bilhões desde o início dos anos 2000. Só nos últimos 12 meses, as despesas saltaram 20% impulsionadas pela alta dos preços. Com isso, os americanos importaram, na média, o equivalente a US$ 0,70 para cada dólar adicional exportado desde 2000.
O Brasil também viu suas importações se multiplicarem, proporcionalmente mais que as americanas, mas em uma base muito inferior: de US$ 5,7 bilhões, no ano 2000, para pouco mais de US$ 16,3 bilhões nos 12 meses até agosto. Desse modo, o setor agropecuário brasileiro importou apenas US$ 0,18 para cada dólar adicional exportado.
Os Estados Unidos são um país relativamente aberto, possuem uma demanda enorme e são dependentes das importações de vários produtos. Os americanos importam grandes volumes de açúcar, café, suco de laranja, frutas e outros itens tropicais. Apenas os desembarques de hortifrutigranjeiros nos últimos 12 meses são estimados em US$ 39,5 bilhões, 11% mais do que em 2010. As importações de açúcar e café, produtos dos quais o Brasil é o maior exportador mundial, ultrapassam a marca de US$ 13 bilhões no período.
Já o Brasil é autossuficiente em quase todos os produtos agrícolas. Vai demorar muito tempo até que o Brasil tenha uma renda capaz de comprometer o balanço agrícola. Até lá, vai continuar a importar apenas aquilo em que não é competitivo e tem o mercado aberto por causa do Mercosul, como nos casos como o do arroz e do leite.
Os biocombustíveis também tiveram papel relevante. Os subsídios ao etanol de milho fizeram com que todo o incremento na produção do grão nos Estados Unidos – cerca de 70 milhões de toneladas, mais do que cresceu toda a oferta de grãos e fibras no Brasil – fosse absorvido internamente, estagnando as exportações nos níveis do ano 2000. O etanol também limitou o potencial de crescimento da soja, que disputa área com o milho, e a competitividade da carne americana.
Com isso, os americanos abriram espaço para o Brasil. Segundo dados da OMC, os EUA viram sua participação nas exportações agrícolas globais cair de 13% para 10,2% entre 2000 e 2009. Já a fatia do Brasil cresceu (embora ainda seja tímida) de 2,8% para 4,9%. Brasil e EUA estão hoje muito próximos em competitividade. Mas, na margem, os americanos têm dificuldades para crescer, o que é uma enorme vantagem para o Brasil nessa disputa por mercado. O País tem cerca de 90 milhões de terras agricultáveis ainda virgens.
Disponível em http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2011/10/10/lideranca-mundial-do-brasil-em-superavit-do-agronegocio/, acesso em 25/08/2012.
Documentos estatístico do Dieese com dados bastante interessante:
http://www.dieese.org.br/anu/anuarioRural/anuarioRural10-11.pdf
http://www.dieese.org.br/anu/anuarioRural/anuarioRural10-11.pdf
Trecho do documento do Ministério da Agricultura sobre as projeções do agronegócio no Brasil até 2021:
"As projeções regionais mostram que o Rio Grande do Sul deve continuar liderando a expansão do arroz no Brasil nos próximos anos. A produção do Estado que representa em 2010/2011, 64,5% da produção nacional de arroz, deve aumentar a produção nos próximos anos em 23,6% e a área em 15,6%. Isso representa até 2020/2021 aumentos médios anuais de 2,1% da produção e de 1,42% da área de arroz no estado.
"As projeções regionais mostram que o Rio Grande do Sul deve continuar liderando a expansão do arroz no Brasil nos próximos anos. A produção do Estado que representa em 2010/2011, 64,5% da produção nacional de arroz, deve aumentar a produção nos próximos anos em 23,6% e a área em 15,6%. Isso representa até 2020/2021 aumentos médios anuais de 2,1% da produção e de 1,42% da área de arroz no estado.
A produção de cana-de-açúcar deve se expandir a taxas elevadas em todos os estados considerados. Em São Paulo a produção deve aumentar em 132,5 milhões de toneladas. Para atender a esse crescimento, a área no estado deve aumentar em 29,2% no final do período das projeções. Pelas previsões realizadas, o estado de Goiás é o que deve apresentar nos próximos anos maiores aumentos da produção (42,1%) e da área de cana-de açúcar (41,8%).
Mato Grosso deve liderar nos próximos anos o crescimento da produção e da área de milho e soja. Tanto a produção como a área têm previsão de crescimento nesse estado. O milho deve sofrer nos próximos anos redução de área em Minas Gerais e Paraná. Esse produto deve ceder área especialmente para a soja e possivelmente para a cana–de-açúcar. A soja deve aumentar a produção sem que haja redução de área em nenhum dos estados analisados. Também com relação a esse produto é surpreendente a liderança prevista para Mato Grosso."
Em sumas palavras: a soja e milho continua avançado e a cana ganha mais espaço!!
Todo o documento está disponível em: http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Ministerio/gestao/projecao/PROJECOES%20DO%20AGRONEGOCIO%202010-11%20a%202020-21%20-%202_0.pdf, acesso em 25/08/2012.
Um interessante análise sobre a situação do cerrado em municípios de Goiais. Percebam, em dados, a área de cerrado e a área de pastagem!O artigo todo encontramos em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1982-45132012000100004&script=sci_arttext, acesso em 25/08/2012.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Sustentabilidade é possível?
Isso é ser sustentável?
O termo sustentabilidade vem sendo aplicado atualmente como o ponto X das questões ambientais, seja para produção de energia, alimentos, matérias-primas entre outros, envolvido em ações que visem preservar o meio ambiente e utiliza-lo de forma coerente e adequada. Mas ser sustentável talvez seja mais difícil do que imaginamos, já que o modelo econômico seguido atualmente não suportaria viver com os recursos naturais tão reduzidos.
Vejamos na imagem acima o exemplo daquilo que acreditamos ser o modelo a seguido pelos capitalistas ao se dizerem sustentáveis, ou seja, para tudo se tem um preço, alto por sinal.
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